sábado, 13 de fevereiro de 2016

Céu e Chão



Só há grandes quedas
onde há grandes voos,
agora que não tenho asas
quando caio, mal me ralo.

Mas houve tempos
em que podia voar
pro alto de ilusões
com mais de 5 000m
de altura.

Era de lá,
que despencava.

Ainda posso ouvir
o barulho das pancadas
da minha cara contra o chão.

Não era o chão, era o duro
do chão que eu temia, por isso
preferia viver nas nuvens,
no algodão macio da fantasia.

Mas descobri que
o duro do chão só doía
porque de voo em voo,
de sonho em sonho,
eu voava, sonhava,

E sendo o voo insustentável,
o sonho finito, a queda era
questão de tempo, despertar,
inevitável.

Então, eu caía, acordava,
me desiludia, acontecia
a pancada.

Depois, ainda insistia,
juntava os cacos
com fita adesiva
palitos de picolé
e barbante,

Me remendava
e de novo, ia tentar,
e de novo, tentando,
me arrebentava.

Uma hora, eu ia cansar,
tanto que cansei e aí,
me aposentei de ser
lunático.

O ganho é pouco,
mas é melhor viver
com os pés no chão
do que com a cara.


                                                    
Gostou?
Faça andar.
Valeu!

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