sábado, 29 de abril de 2017

Sobre Medos e Coragens



Chega uma hora que
não dói mais e os assombros
de antes são só assombros
sem função, vampiros
desdentados,

É
como o medo do escuro
que passa quando a gente
cresce,

As inquietudes
que pareciam que nunca
iam acabar, acabam.

Quem me vê não diz
que já frequentei abismos
e labirintos

Nem eu digo,
porque me olho no espelho
e pareço tão inteiro que
nem parece o tanto que
já caí e quebrei.

Eu acho
é graça.

Às vezes,
me acho tão forte
e me congratulo porque
cresci e porque crescendo,
venci monstros,

Às vezes,
me pergunto, se os monstros
eram realmente grandes,
se eram realmente monstros

Ou se era só eu
que era muito pequeno
e assustado.



                                                                
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sábado, 22 de abril de 2017

Sobre Cheiros e Narizes


01.
“Cedo ou tarde,
a realidade
nos inunda os crânios
e nos afoga os sonhos”

Acho isso tão
bonito!

Posso imaginar
a realidade enchendo
crânios como aquários
e os sonhos, tadinhos!
Sem chance.

Eles se debatem um
pouco ainda, o que deixa
tudo mais triste, antes de,
enfim,
afundarem.

Disse isso pra alguns
não iniciados, porque
sou desses que jogam
poesia na cara do
povo.

Hehehehe

Ser poeta é um
pouco isso...

Não disse
o pensamento todo,
só a estrofe,

Alguns disseram
que ficou muito legal,
outros disseram “um rum”
e ainda alguns disseram
que tavam ocupados.


02.
É engraçado como
as pessoas acabam
se acostumando com
o pouco das palavras,

O falar de todo dia:
a palavra dizendo
só o que tá dizendo,

É engraçado também
como elas acabam se
acostumando com a gente

E a gente com elas
e tudo dorme sobre
a larga cama da praticidade
implícita,

CARAMBA! - eu penso,
sou um poeta,
minha missão na terra
é despertar sentidos!!!

Mas aí repenso,
porque tô acostumado
demais comigo mesmo.


03.
Tenho um amigo que
todo dia mexia com peixe,
e por isso, cheirava a peixe,
mas pra ele não, porque
ele não sentia mais o cheiro
do peixe,

Todo mundo sentia,
ele não.

O que isso tem a ver?
Todo dia a gente mexe
com um monte de coisa
e mexe tanto que já nem
sente mais o cheiro,

Só os outros
que sentem.

O ponto é: todo dia
mexo com poesia
e aí, eu me pergunto:
tô fedendo será?


04.
Digo que sou poeta
não só porque escrevo
poemas,

Mas
porque sinto o mundo
de um modo tal e sei que
sentiria de outro modo

Não fosse poeta,
nem fosse a poesia.

A poesia me contamina
os olhos, me contamina
os verbos, me contamina
o cérebro

E até sobre o cinza
dos dias melancólicos
ela borrifa azul,

Então,
eu fico pensando
se não preciso
me lavar...


                                                                               
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sábado, 15 de abril de 2017

Um Romeu Tarado



1.
Aprendi errado,
aprendi a desejar
uma mulher só corpo

E amar outra
como que sem.

E como
as duas não podiam
ser a mesma,

Então, eu procurava
uma daquelas fêmeas
peito e bunda das revistas
e dos pornôs,

Que eu ia arregaçar
com a brutalidade
do meu erotismo
amalucado.

Ao mesmo tempo,
procurava uma santa
sem vagina,

Que eu ia andar de
mão dada e dar beijinho
na boca na frente da
família.

Eu era
um Romeu tarado.


02.
Um dos
primeiros sonetos
que escrevi
expressava isso:

Uma dicotomia

Que
não tava fora,
na mulher retratada,
mas em mim…

Era em mim que
conviviam dois anseios
muitos distintos:

Uma tara desgraçada
e um romantismo paralelo
ingênuo e sem entranhas.

Sempre que pensava
em sexo, pensava
em excesso e violência,

Meter com força,
morder, lamber,
apertar

E sempre que
pensava em amor
tirava o sexo da
parada,

Porque foder
era feio...


03.
Eu tinha uns 16 e
minha ideia de sexo
vinha da pornografia
um pouco escassa que
tinha acesso,

Fitas que circulavam
pela escola como um
milagre secreto.

Gente suada, espasmos,
mulheres de caras
descompostas gemendo
e suplicando em inglês

fuck me
fuck me
fuck me

Ou então,
Oh, my God!

Pra mim, isso que
era sexo, uma vergonha,
infame, o nojo de
Deus,

Tanto que achava
incompatível gostar
e desejar a mesma
pessoa,

Sabe?
Eram coisas diferentes
como motivos e fins
muito diferentes…


04.
Quando eu gostava
de uma menina, não
conseguia imaginá-la
com uma rola na boca,

Nem a minha!

Imaginava a gente
se beijando, andando
de mãos dadas, passeando,
ela rindo das minhas piadas
e a gente sendo feliz
assim,

Não
gostava de pensar
nela de quatro pedindo
mais, arreganhando as
pernas e dizem vem,
revirando os olhos.

Esses pensamentos
“impuros”, heheheh
eu tinha com todas
as outras.




                                                           
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sábado, 8 de abril de 2017

Tempos do Convívio



Passeio sem assombro
os olhos da memória
pelas prateleiras do
passado,

Estacionamento do trabalho:
passo assobiando entre
os carros, é uma versão
das quatro estações de
Vivaldi

Que eu ouvia muito
logo que ganhei meu
primeiro pc e conheci
a fantástica tecnologia
do mp3,

Essa versão, no entanto,
eu que inventei durante
caminhadas funcionais
e aborrecidas,

Pareço meu pai
lavando o carro,

Só não tenho
carro pra lavar.

Lembro que detestava
admitir qualquer semelhança
entre mim e ele,

Hoje,
acho graça e digo
é mermo.

Mas pareço mais
com minha mãe,
embora não borde,

Quebro coisas igual
e vivo bem com
gatos.

Meu quarto, 3 da manhã:
eu tô deitado no escuro
olhando pra cima e esperando
o sono como quem espera
um ônibus em Porto Velho,

Eu sei que
vai demorar.

Já faz muito tempo desde
a última vez que sonhei
com demônios,

Não eram sonhos
muito bons, mas foram
embora junto com o meu
cristianismo.

É, tenho um monte de
ideais sem uso e verdades
que não preciso mais

Isso acontece quando
a gente se revoluciona.

Acho que devia
tá um pouco triste,
porque perdi o paraíso,

Mas na fila do supermercado,
enquanto olho pra dentro, a
Vanessa me pergunta o que foi,
e ela mesma se responde,
só mais um poema

E no fim das contas,
me libertei de um deus
vilão e do reino medieval
que só existia na minha
cabeça.

Tanto faz,
vamo pra casa,
comer bolacha recheada
com café e seguir com
a vida…

Heheheheh




                                                               
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sábado, 1 de abril de 2017

A Descoberta do Amanhã




Um dia,
a gente descobre
o amanhã e isso muda
muita coisa,

Porque a descoberta
não é só ficar sabendo
que o depois existe,

Saber que existe
qualquer um sabe
e é como se a gente
sempre soubesse,

A gente sabe que existem
nuvens e gente que anda
de moto,

A descoberta de que falo
não é como saber que existem
nuvens e gente que anda de moto,
é se ligar em que se cruzam
essas existências,

A descoberta que falo,
não é bem descobrir,
é chegar a um entendimento,

Talvez nem seja chegar
a esse entendimento, mas
ser atropelado por ele,

Sabe quando um pai
taca o dedo indicador na própria
cabeça e pergunta pro filho
que aprontou alguma

“Tu num tem
consciência das coisas
não,
diabo?”

Sabe?
Pois é disso aí
que tô falando.

Chega um dia que a gente
entende que o depois espera
mais à frente, inevitável,
inexorável,

E é muito mais sério
do que entender que
se eu beber hoje vou ter
ressaca amanhã,

A gente entende
que cada ato se converte
em fato e que até o gesto
mínimo entra na conta,

Tomar café, por exemplo,
uma xícara em um dia
não faz mal, mas dez
xícaras por 20 anos,

Tenho que certeza
que faz!

(Não vou testar)

O jeito que a gente anda
entorta os ossos da perna,
a forma como a gente
mastiga arregaça a nossa
dentição,

O jeito que a gente vai
levando a vida pode
transformá-la num desastre,

Um dia
a gente entende

E aí, cada pequena ação
é vista pelo prisma do
“a longo prazo”

E seus efeitos
amplificados pela passagem
hipotética dos dias, meses
e anos pra além dos calendários,

Dizer que
cada escolha conta
é uma coisa, outra coisa é
entender o peso disso!

Mas é bonito também,
quando a promessa
é boa,

Porque a gente é capaz
de ver a flor (ainda por existir)
habitando a semente que ainda
nem foi plantada

E é por isso que
a gente vai lá e
planta.

Né não?

A gente entende que
se não sabe, pode aprender,
se não é capaz, pode se
tornar capaz…

Pode
pelo menos tentar.

Eu digo a gente isso,
a gente aquilo, mas tô
falando de mim.

Não sei vocês, mas um dia
descobri
a existência do amanhã
e isso me amanheceu
inteiro...




                                                                                
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sábado, 25 de março de 2017

Todo Sujo de Azul



“Sujar as mãos de azul”

Acho isso tão besta, tão bobinho,
mas permito, porque faz sentido,
se não pra mais ninguém,
pra mim.

No começo, tava pensando
em usar “chafurdar” em vez
de “sujar”, pra dar aquela ideia
de exagero e perda do limite,

Preferi sujar, porque lembra
infância em que brincar,
sujava

Então, o “sujar” não tem só o
sentido de ficar sujo, mas
de se misturar ao barro
da infância, à manga
mastigada no pé,

Também já usei “se sujar de azul”,
e quis dizer com isso se sujar inteiro,
não só o corpo, mas o que ele
guarda,

E azul pra mim é céu,
mas não só céu, também mar,
mas também imensidão, sonho,
voo, fantasia,

Todos esses sopros efêmeros
e deslumbrantes que borrifam
milagres em nossos olhos
apagados,

Se sujar de azul é se deixar
manchar de fantástico,

Pensei então, num pintor
pintando um quadro
todo céu, a aquarela
cheia de tons de azul

E as mãos dele, as mesmas
do trabalho, todas sujas,
pintadas de azul,

Na minha imaginação
isso é bonito, penso em mãos
cansadas, calejadas, doídas,
por um momento de novo
vivas e alegres pintando
um céu

E o azul seria um azul inexistente,
aquele azul que a gente lembra
quando o dia tá nublado, lembra
e de vez em quando, sente
falta,

Mas é por isso, por causa do
pintor imaginário e suas mãos
manejando o azul,

Eu brinco com o azul e também
sujo as mãos nele, eu mergulho
nele e me sujo inteiro,

Sou um daqueles caras
do blue man group
Heheheheheh

Eu sei, eu também me sinto
muito pós-moderno escrevendo
uma poesia sobre poesia, faz sentido,
não faz sentido, penso, logo, isto
dispenso, logo, aquilo...

Tem mais...

“Sujando as mãos de azul
pra compensar os pés
no pó escuro do chão”,

Que também podia ser:
“sujando as mãos de azul
pra compensar os pés
no chão”

Pés no chão,
entendeu?

De resto:

Azul é céu,
é mar,
imensidão

E chão
é NÃO!




                                                                                  
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sábado, 18 de março de 2017

Vem Ni Mim Armagedom!



Pelo menos uma vez por ano
aparece uma profecia dizendo
que o mundo vai acabar,

Um meteoro, pane geral dos
computadores, uma pandemia…
E por aí vai,

Mas
o mundo continua aí
inteiraço…

O pessoal até se anima,
se prepara pro dia,

E nada...

Até tem uma galera aí,
eu acho,
realmente esperando o fim do
mundo pra ter uma boa desculpa
pra enlouquecer,

Pra se
acabar mermo!

Pensa aí: se o pessoal
já curte como se não houvesse
amanhã, HAVENDO!!!,

Imagina, então,
na véspera do Fim
de Tudo… Magina!

Imagina só mais essa:
VEM NI MIM ARMAGEDOM!
- a festa,
todo mundo convidado

Fiquei até ansioso...
Heheheheheh

Por outro lado, acho que,
infelizmente,
por conta de todas as vezes
que disseram que era o fim,
mas não foi, muita gente vai
se enganar,

Como naquela história do lobo
que o menino, só pra sacanear,
diz que tá vindo

E quando vem,
ninguém acredita.

Talvez
o fim do mundo seja noticiado
e a gente até ria e continue a vida
normalmente
mais preocupados com o fim
do mês:

Seria foda, né?

Toda uma galera aí,
esperando
o fim do mundo ser anunciado
pra dar aquela enlouquecida
violenta

E aí, nem vão, porque vão
pensar que é só mais um
alarme falso.

De todo jeito, é melhor ver
o lado bom das coisas: muito pior
do que não aproveitar o fim
do mundo seria

Aproveitar de com força,
sobreviver,

E
o mundo

nem acabar.


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